Carlos Marcucci

Nome verdadeiro: Marcucci, Carlos
Pseudônimo: El pibe de Wilde
Bandoneonista, director y compositor
(30 outubro 1903 - 31 maio 1957)
Local de nascimento:
Buenos Aires Argentina
Por
Orlando del Greco

studou bandônio sob a direção do famoso «Alemão» Arturo Bernstein e, sendo quase uma criança, estreou pouco tempo depois no Bar Iglesias da Rua Corrientes no chamado Trio De Pibes.

Passou para um café em Avellaneda formando outro trio; esta vez com o violino de Raimundo Orsi (Mumo), que mais tarde seria um destacado jogador de futebol a nível mundial, e o violão de de Ángel Domingo Riverol, tempo depois violonista de Gardel.

Tocou nos botecos do bairro de La Boca; mais tarde no Royal com Francisco De Caro; no famoso Café El Parque e tantos outros da época. Atuou com Carlos Vicente Geroni Flores em salões.

No ano de 1923 viajou para o México com a companhia teatral Vittone-Pomar, se apresentaram também em Cuba. De volta ao país ingressa na orquestra de Francisco Canaro com a qual viaja à França naquela triunfal turnê de 1925.

De regresso em Buenos Aires forma sua própria orquestra para gravar em discos RCA-Victor, atuar em cinemas, rádios e locais famosos como Armenonville, Charleston, Chantecler, Ta-Ba-Rís, etc., para ingressar tempo depois (1932-33) na típica de Julio De Caro. Voltou, depois, a liderar sua própria orquestra, além de se apresentar em bailes, rádios, gravar discos, e fazer turnês; uma delas junto como Juan Carlos Marambio Catán e o dançarino Casimiro Aín (El Vasco) com a qual chegaram até as costas do Pacífico.

Integrou junto com Maffia, Laurenz, Ciriaquito e Piana o conjunto Los Cinco Ases. Foi um dos bandonionistas extraordinários que teve a história do tango, também tocava o violino, e seu nome ficou gravado com letras douradas nessa história, apesar dos tantos enganos que sobrevieram para torná-la mais «decente» e «nobre».

Como compositor destacou-se desde sua primeira obra, o tango “Viejecita mía” que mais tarde teve letra de Enrique Dizeo, gravado por Gardel no ano de 1923. Publicou a seguir: “Ojo clínico”, “Estrellita”, “¡Qué maravilla!”, “Chivilcoy”, “Mi tapera”, “Tus caricias”, “Hay que entrar”, “Cielo azul”, “Romántica [b]”, “Luna arrabalera”, “Esta noche”, “Esta tarde”, “La reja” (gravado por Gardel), “Mi dolor”, extraordinário; “Y reías”, “¡Eh! ¿Qué decís?”, “El loco del Tom Thumb golf”, e também teve a capacidade de adaptar seu talento a outros ritmos fazendo ritmos espanhóis, valsas, rancheras (a famosíssima “Cadenita de amor”, por exemplo), etc.

Teve como colaboradores a Manuel Meaños, Ginés Miralles, Lito Bayardo, Nicolás Trimani, Ángel Gardel, Dante A. Linyera.

Conheceu Carlos Gardel por meio de Dizeo e o tango em comum “Viejecita mía”, do qual teve que enviar-lhe a partitura sem chegar a ter trato pessoal. Porém aconteceu que, no final de 1927, Gardel devia viajar a Europa, acompanhado por uma orquestra típica, e foi indicado como ideal para essa função. Foi convocado e ensaiaram várias vezes na casa de Carlitos com esse objetivo, porém por motivos de orçamento terminou não participando da turnê.

Contava ele que por causa dessa proposta e quando foi por primeira vez à casa de Gardel para ensaiar, o cantor não estava lá e foi recebido por sua mãe Dona Berta. Enquanto esperava, começaram a tocar alguns tangos com os outros músicos.

Estavam tocando quando chegou Carlos, ficou ouvindo-os por um momento e lhe disse: «Muito bem, Pibe! Continua tocando enquanto eu como este pucherito!». Tinha chegado dos banhos turcos e estava com uma fome terrível...

Foi nesses ensaios que lhe apresentou algumas das suas composições, das quais Carlos Gardel escolheu o tango “La reja” que mais tarde gravaria.

Marcucci nasceu em Buenos Aires (Barracas) em 30 de outubro de 1904 e morreu na mesma cidade em 31 de maio de 1957.