Julio De Caro

Nome verdadeiro: De Caro, Julio
Pseudônimo: José Julián
Violinista, director y compositor
(11 dezembro 1899 - 11 março 1980)
Local de nascimento:
Buenos Aires Argentina
Por
Orlando del Greco

ma das mais brilhantes estrelas do tango cujo brilho vai findar com o último suspiro do ritmo popular de Buenos Aires.

Circunstancialmente tocou na orquestra de Roberto Firpo, no Palais de Glace quando ainda era adolescente, mais tarde participa profissionalmente das de Eduardo Arolas, Ricardo Brignolo, Minotto Di Cicco, o Quarteto de Maestros com Osvaldo Fresedo, Enrique Delfino e Manlio Francia, e na de Juan Carlos Cobián por certo tempo.

Em 1924 ele formou seu próprio conjunto para orgulho do tango; em 1927 viajou com ela pelo Brasil e em 1930 pela Europa apresentando-se com grande sucesso na França, Mônaco e Itália. (Seu verdadeiro início na profissão foi com Arolas em 1917 no Cabaré Tabarin).

Ano de 1931: se filma em Joinville, perto de Paris, o filme Luces de Buenos Aires com Carlos Gardel como figura estelar e ele, com sua orquestra, participa nela magistralmente. Depois participou em La barra del Taponazo, Petróleo e Murió el Sargento Laprida, em Buenos Aires.

Elegantes clubes e salões, famosos cafés e cabarés, cinemas e teatros, a radiotelefonia, casas fonográficas que imprimiram suas interpretações nas marcas Victor, Pathé, Brünswick e Odeon, turnês pelo interior, marcaram a brilhante carreira musical dste inovador extraordinário e indiscutível.

Como compositor estreou em 1918 com “Mala pinta” tango em parceria com seu irmão Francisco e com o passar do tempo nos ofereceu verdadeiras jóias como: “Boedo”, “La rayuela”, “Buen amigo”, “El monito”, “El malevo”, “Tierra querida”, “Guardia vieja”, “Todo corazón”, “Copacabana”, “El mareo”, “El arranque”, “El bajel”, “Parlamento”, “Moulin Rouge”, “Orgullo criollo”, “Mala junta”, e também “Cote d'Azur”, “Bizcochito”, “Aquella noche”, “Chiclana”, “Triste”, “Tu promesa”, “Colombina”, “Allá en el cielo”, “Loca ilusión”, “Siempre te quise”, “Primavera”, “Carlitos”, “Fresedo”, “Los muchachos”, “Mascarita”, “Para Corrientes”, “De rompe y raja”, “Yo me quiero divertir”, “Cómo nos divertimos”, “Olympia”, “Punto y banca”, “Tiny”, “Ilusión de pierrot”, “El diente”, “Viejo paria”, “Tierra adentro”, “Viña del Mar”, “Mala cría”, “Pura labia”, “Minotito”, “Carita de ángel”, “Astor”, “Mundo Argentino”, “¡Churro!”, “Todo el año es carnaval”, “Pulgarín”, sendo seus colaboradores Francisco De Caro, Pedro Maffia, Pedro Laurenz, Enrique Cadícamo, Dante A. Linyera, Mario César Gomila, Juan Carlos Marambio Catán, María Luisa Carnelli, Martinelli Massa-Aguilar, González, Ruffet, e muitos, muitos outros.

Participaram de suas orquestras músicos da importância dos mencionados Maffia e Laurenz, de seus irmãos Francisco De Caro e Emilio De Caro; de Ciriaco Ortiz, Armando Blasco, Carlos Marcucci, Luis Petrucelli, Gabriel Clausi, Graciano de Leone, Ricardo Brignolo, Negro Thompson, Manlio Francia, Luis Gutiérrez del Barrio, Félix Lipesker, Aníbal Troilo, José María Rizzuti, Hugo Baralis, Luis Minervini, Miguel Orlando, Esteban Rovatti, Roberto Goyheneche, Lorenzo Olivari, Ángel Danesi, Juan Bautista Guido, Agesilao Ferrazzano, Bernardo Germino, etc. e ótimos cantores como Carlos Marambio Catán, Pedro Lauga, Antonio Rodríguez Lesende, Luis Díaz, Teófilo Ibáñez, Carlos Viván, Félix Gutiérrez, Alberto Lagos e Roberto Medina.

Publicou em 1964 o livro El tango en mis recuerdos. Sob o pseudônimo de José Julián escreveu versos para composições de músicos amigos e colaborou em revistas.

Está no repertório de Carlos Gardel por ter gravado o cantor seus tangos “Aquella noche”, com letra de González Illescas, e “Todo corazón”, com versos de José Ruffet; além disso também cantou em suas apresentações na França, principalmente seu “Cómo nos divertimos”, tango que fez em parceria com Dante A. Linyera.

Para a revista Mundo Argentino contou assim sobre o dia que conheceu Gardel: «Em 1918 eu tocava com Eduardo Arolas. No mundo artístico se falava muito de um cantor que tinha lançado o tango “Mi noche triste (Lita)” e que cantava com José Razzano no antigo Teatro Esmeralda (hoje Maipo). Levado pela curiosidade, fui até lá uma noite e fiquei —como todos— admirado. Quando terminou a apresentação me aproximei até o camarino de Gardel, no intuito de cumprimentá-lo e parabenizá-lo. Ao me ver Carlitos exclamou: «Mas você é o garoto que toca o violino com Arolas!». Sem nunca nos ter encontrado, ambos já nos conhecíamos. Assim começou minha amizade com ele, que perdurou por tantos anos».

Solicitado para este trabalho contou a seguinte anedota: «Estávamos já prontos no palco e quando já quase começávamos nossa apresentação, a estreia no Palais de la Mediterráne, em Niza, Gardel, que estava sentado perante uma mesa de quase quarenta pessoas, entre os que estavam o prefeito geral, o intendente, e os principais representantes da sociedade mundial, se levantou e disse em francês: «Senhoras e senhores; vocês já me conhecem, o aplauso e o carinho que sempre me concederam em minhas apresentações me permitem pedir-lhes que ouçam com verdadeira atenção à orquestra que atuará a seguir, já que é a melhor do mundo em tango e não podia estar ausente na sua estreia, viajando ex professo desde Paris para ouvi-la. Peço para o grande Julio De Caro um aplauso franco por antecipado».

«A seguir subiu ao palco para terminar de atuar (uma hora seguida) e me deu um forte abraço.»

Julio De Caro nasceu em Buenos Aires, em 11 de dezembro de 1899, e morreu em Mar del Plata (província de Buenos Aires), em 11 de março de 1980.