Eduardo Arolas

Nome verdadeiro: Arola, Lorenzo
Pseudônimo: El Tigre del bandoneón
Bandoneonista, compositor y director
(24 fevereiro 1892 - 29 setembro 1924)
Local de nascimento:
Buenos Aires Argentina
Por
Orlando del Greco

oi, sem a menor dúvida, o melhor compositor de tango a pesar da sua curta carreira, pouco mais de quinze anos. O gênio, que transmitiu todo o seu sentimento e todo o seu talento nas suas criações. É possível encontrar algum tango de outro compositor que supere a qualidade dos seus em comparação individual, porém em conjunto a sua obra é maravilhosa, insuperável.

Começou sendo rapaz tocando o violão em botecos do seu bairro natal e outros locais «non sanctos» y, a seguir, em dupla com Rafael Iriarte percorreu os povoados da província de Buenos Aires. Já por aquele tempo estuava bandônio.

Rapidamente atingiu o topo entre os executantes desse formidável instrumento começando, como todos, em pequenos conjuntos em festas do bairro para passar a integrar um que se apresentava num café do bairro de La Boca; mais tarde La Buseca de Avellaneda e tantos outros, entre eles os que se chamavam: Botafogo, El Estribo, La Marina, Iglesias, El Popular, Garufa, e os cabarés L'Abbaye, Armenonville, Montmartre, Royal Pigall's, Tabarin, etc. Também se apresentou em Montevidéu.

Nesses locais atuou com orquestras próprias ou nas de Roberto Firpo; precisamente, como fazia parte desta última integrou a gigante Firpo-Canaro ao juntar-se ambas as orquestras para amenizar os bailes de Carnaval do Teatro Colón de Rosário, nos anos de 1917 e 1918. No cartaz gigante que a anunciava, com as fotografias de seus músicos pode observar-se a sua no centro, num lugar estelar, prova da sua real importância, ainda mais sabendo que a formavam grandes maestros.

Quando o tango se impôs em Paris, partiu para lá se apresentando em cabarés e outros locais por pouco tempo, até sua morte. A colônia argentina da Cidade Luz o chorou acudindo, quase completa, ao seu funeral, assim o demonstra a fotografia tomada no momento em que seu corpo era retirado dol hospital onde faleceu.

Em 1909 lança seu tango “Una noche de garufa”, com o qual demonstrou logo de início seu enorme talento e foi precursor de outros que fizeram do seu nome inesquecível: “Derecho viejo”, “La guitarrita”, “Lágrimas”, “La cachila”, “Catamarca” “Maipo”, “Retintín”, “Rawson”, “El Marne”, “La trilla”, “Lelia”, “Suipacha”, “Papas calientes”, “Fuegos artificiales” (em parceria com Roberto Firpo); e também: “Alice”, “Dinamita”, “Araca”, “Anatomía”, “Tupungato”, “Rocca”, “Pobre gaucho”, “La cabrera”, “Cardos”, “Nariz”, “Bien tirao”, “Bataraz”, “Guachito”, “El rey de los bordoneos”, “Taba calzada”, “Moñito (Marrón Glacé)”, “Viborita” que foi o último que compôs, a valsa “Notas del corazón”, etc.

É importante aclarar que o primeiro que publicou foi “Una noche de garufa”, porém sua primeira composição, anos 1907-08, a fez com o mencionado Iriarte e a intitulou “Comme il faut”, enquanto que seu colega a chamou “Comparsa criolla”; foi assim que o mesmo tango foi publicado com diferentes títulos muitos anos depois.

Desde o começo esteve vinculado com o duo Gardel-Razzano, já que quando eles fizeram sua estreia no Armenonville, ele integrava o trio de Roberto Firpo que amenizava as noites refulgentes desse famoso cabaré. Era o ano de 1913, aquele do sucesso dos cantores e sua amizade com eles. Por causa dessa amizade, anos depois, dedicou ao dueto a canção “Era linda mi gauchita”, que eles cantaram muitas vezes, e Gardel lhe gravou o tango “Qué querés con esa cara (La guitarrita)”, os dois com letras de Pascual Contursi.

Gravou discos com seus conjuntos e neles atuaram relevantes instrumentistas como Tito Roccatagliata, Rafael Tuegols, Julio De Caro, José María Rizzuti, Luis Riccardi, Leopoldo Thompson, Pascual Clausi, Nicolás Verona, José López Ares, Harold Phillips, Juan Carlos Cobián, Manuel Pizarro, Juan Marini, Genaro Espósito, Ernesto Zambonini, Enrique Delfino, etc.

Por causa das suas grandes qualidades foi chamado El Tigre del Bandoneón e constitui um dos alicerces de apoio do tango, apesar dos muitos anos desde sua morte.

Arolas nasceu no bairro de Barracas da cidade de Buenos Aires, em 24 de fevereiro de 1892 e faleceu em Paris (França) em 29 de setembro de 1924.