Luis Bonnat

Nome verdadeiro: Bonnat, Luis Adolfo
Pseudônimo: Palito
Bandoneonista, compositor, arreglador y director
(25 julho 1917 - 17 setembro 1966)
Local de nascimento:
Darregueira (Buenos Aires) Argentina
Por
José Valle

eus pais, Luis e Irene Abadie, eram franceses. Em 1923 se estabeleceu com a sua família na cidade de Bahia Blanca, estudando música com o Maestro Olivo Parcaroli.

Mais tarde ingressou na orquestra de Eberardo Nadalini (contava apenas com 16 anos de idade), sendo um de seus colegas nesse conjunto o pianista Armando Lacava. Atuaram pela emissora LU7 Rádio San Martín e em bailes de clubes e salões.

Viajou a Buenos Aires em 1937, junto com Lacava e o contrabaixista Elvio Olivero. Foi um dos tantos músicos que se hospedou na famosa Pensão da Alegria, na Rua Salta. Depois de passar por algumas penúrias, conseguem ingressar no elenco da emissora LS5 Rádio Rivadavia, como trio permanente, que também acompanhava aos cantores da emissora.

Sendo um bom músico e muito apreciado no ambiente, foi convocado por várias orquestras importantes, trabalhando com: Antonio Rodio, Osmar Maderna; em 1944, na efêmera orquestra de Orlando Goñi; Osvaldo Pugliese, Mariano Mores; mais tarde com Alfredo Gobbi.

Fez parte da orquestra que acompanhou o jovem cantor Roberto Rufino e, finalmente, encerrou sua etapa em Buenos Aires trabalhando com Enrique Alessio.

Voltou a Bahia Blanca em 1946 formando sua própria orquestra e mais tarde um quarteto, mantendo simultaneamente ambos os conjuntos. Teve como cantor a Alberto Randal, conhecido mais tarde em Buenos Aires como Roberto Achával.

Por muitos anos dirigiu sua orquestra apresentando-se todas as quartas-feiras às 19:05 horas e nos domingos às 11:30 horas, pela frequência da LU3 Rádio Splendid de Bahia Blanca, também pela LU2 Rádio Bahia Blanca; foi diretor da orquestra do cabaré El Tronío, da Rua Soler e na Universidade Nacional del Sur, em 1964.

Pela sua orquestra passaram os cantores, além do já mencionado Achával, Carlos Del Mar, entre outros.

Entre as obras de sua autoria se destacam quatro tangos: “Tu capricho”, “Qué importa nuestro amor”, “Trasnochada”, “Don Saturnino” (com Ciriaco Medina). Também “Cuadro otoñal” “A los bahienses” e “Milonga carioca”, as três com Ricardo Alday. Gravou um disco com os tangos “Arrabal” e “Gloria”.

O reconhecido historiador Luis Adolfo Sierra dizia sobre Palito Bonnat: «Um excelente bandonionista dos anos quarenta, de quem fui amigo, o conheci integrando uma famosa turma de bandonionistas na orquestra do violinista Rodio, junto com Antonio Ríos, Ernesto Rossi (Tití), Eduardo Rovira e Roberto Di Filippo. Bonnat foi, simplesmente, um artista sério e responsável, um bandonionista da mais pura escola decariana, um homem que deu ao tango o melhor de si».

Familiares, jornalistas, músicos, cantores, amigos, espectadores e ouras pessoas que puderam conhecê-lo, falavam dele como uma pessoa excelente, um indivíduo correto, um homem fora de série.

Sempre estava muito bem vestido, com ternos de ótima qualidade. Quando renovava seu guarda-roupa dava de presente a quem precisara todos os ternos que deixava de usar. Acontecia, então, que alguém que passava a usar algum daqueles ternos, declarava com orgulho que tinham pertencido a Luis.

O pianista e compositor Lucio Passarelli dedicou-lhe sua música “Al amigo ausente” e o bandonionista Hugo Marozzi e Sadoc Lameiro deixou aqueles versos que declaram: «Bonnat desde el cielo nos mira / llevando una estrella como bandoneón» (“Bahia Blanca antigua”).

Luis Adolfo Bonnat teve três filhos (um garoto, falecido, que foi agrimensor), e duas mulheres, que deixaram a cidade de Bahia Blanca. Leonor Carpineti, sua esposa, também faleceu.

Para finalizar, contarei uma história que me relatou uma veterana enfermeira do Hospital Municipal de Bahia Blanca. Estando Bonnat muito doente e internado naquele hospital, uma madrugada apareceu Aníbal Troilo, pergunta por Bonnat e ela o acompanhou até o quarto. Ambos os bandonionistas conversaram largamente estando a enfermeira presente. Ao ir embora, Troilo deixou na gaveta do criado-mudo uma grande quantia de dinheiro e, segurando-a do braço, lhe disse ao ouvido: «Isto é para que cuidem bem do meu amigo».