Agustín Irusta

Nome verdadeiro: Irusta, Agustín Cipriano
Cantor, actor, compositor y letrista
(28 agosto 1903 - 25 abril 1987)
Local de nascimento:
Rosario (Santa Fe) Argentina
Por
Ricardo García Blaya
| Néstor Pinsón

ssim como Francisco Canaro inaugura com o cantor Roberto Díaz a moda dos cantores de refrão, surpreendendo favoravelmente a um público acostumado ao tango instrumental, Agustín Irusta consolida esse papel, a partir da qualidade de suas interpretações na orquestra do maestro.

Tinha uma figura de galã, porém basicamente era um cantor requintado com registro de tenor e uma voz doce e elegante.

Conseguiu atingir o sucesso fora de seu país, gravou em todos os lugares nos quais atuou, fazendo impossível por esse motivo, determinar sua discografia de um modo preciso.

Teve uma vasta carreira, mas seu momento de glória, o mais importante a meu entender, foi quando integrou o Trio Argentino, junto com o cantor Roberto Fugazot e o inspirado pianista Lucio Demare.

Oriundo da cidade de Rosário, a segunda em importância da República Argentina, começa a cantar sendo muito jovem realizando turnês por cidades próximas à sua.

Presta o serviço militar na província de Santiago del Estero, onde conhece o folclorista Andrés Chazarreta —reconhecido criador e compilador de música nativa e crioula— que era mestre dos soldados analfabetos. É ele quem lhe dá suas primeiras aulas de canto e violão.

Tempo mais tarde viaja a Buenos Aires onde conhece Roberto Fugazot e forma um duo vocal, acompanhado por Humberto Correa em violão (autor do tango “Mi vieja viola”) e gravam, em 1926, para a companhia Victor.

Apresenta-se, também, na Rádio Cultura acompanhado por Lorenzo Olivari em violino e Carlos Di Sarli no piano. Depois conforma outros duos com Luis Scalon, primeiro, e depois com Francisco Graciadío, com o violonista Genaro Veiga.

Em 1926 chega ao teatro, incorporando-se à companhia de Enrique Muiño e integra um trio, Los tres gauchos, com Alfredo Eusebio Gobbi e Roberto Fugazot.

O pianista Alberto Soifer lhe apresenta Francisco Canaro, com quem atua, grava refrãos e viaja a Paris. O próprio Canaro lhe sugere a formação de um trio junto com Fugazot e o pianista Lucio Demare, para tentar sorte na Espanha.

Fazem sua estreia em Madri, no Teatro Maravillas e conseguem um sucesso sem precedentes durante nove anos, suas músicas são cantadas pelo público e as rádios as difundem sem descanso.

Aparecem em dois filmes espanhóis: Boliche (1933) e Ave de paso (1935).

Um ano depois, a iminência da guerra civil os traz de novo a Buenos Aires. Participam junto com Canaro numa de suas habituais revistas musicais e, em 1937, o trio se separa. No ano de 1948, por iniciativa de um empresário cubano, o grupo volta a se juntar para cumprir um contrato na ilha, atuando na rádio e deixando mais de quarenta gravações que não foram comercializadas.

Irusta continua no cinema com o filme Ya tiene comisario el pueblo e se incorpora a Rádio El Mundo com os violões de Roberto Grela como acompanhamento. A seguir participa em outros três filmes Cantando llegó el amor, El matrero e Puerta cerrada, com Libertad Lamarque.

Faz turnês por países americanos, acompanhado pelo bandonionista Héctor Presas, o violinista Samy Friedenthal e Daniel López Barreto no piano. A seguir filma Tres hombres de río e viaja pela Europa, atuando na França, Itália e Espanha, onde permanece por cinco anos e participa no filme La guitarra de Gardel no qual aparece, brevemente, a então desconhecida, Carmen Sevilla.

Logo depois, se estabelece por quatro anos no México, onde alterna gravações com cinema e apresentações ao vivo. Continua viajando en forma permanente, instalando-se definitivamente em Caracas (Venezuela), onde vota a se casar e vive até sua morte.

Entre seus tangos mais famosos podemos citar: “Dandy”, “Tenemos que abrirnos”, “Dos vidas”, “A cara o cruz”, “Mi fortuna” e “Mañanitas de Montmartre”, quase todos eles em parceria com Roberto Fugazot e Lucio Demare.

Agustín Irusta foi, sem dúvida alguma, um artista completo destacando-se não apenas por suas extraordinárias qualidades interpretativas, mas também como compositor de clássicos de nosso tango e embaixador itinerante de nossa cultura nacional.