Emilio Marchiano

Nome verdadeiro: Marchiano, Amelindo
Pseudônimo: El Rengo
Violinista y compositor
(1 dezembro 1892 - 31 julho 1974)
Local de nascimento:
Buenos Aires Argentina
Por
Horacio Loriente

ua carreira musical teve lugar entre 1915 e 1925. Dois fatos foram característicos nele: era coxo —coisa que dificultava a subida nesses tradicionais palcos em cafés e salões onde se apresentava— e estar com seu violino quando no Café ABC, da esquina de Rivera e Canning (hoje Av. Córdoba e Scalabrini Ortiz), era estreado o tango de Osvaldo PuglieseRecuerdo”.

Seu colega e amigo José Di Clemente sempre o descreveu como um grande violinista. É muito pouco o que se conhece dele, apenas parte da sua carreira. Em 1916, integrou o quarteto de Samuel Castriota, no salão Patria e Lavoro, junto com Francisco Confeta (violino) e Vicente Loduca (bandônio). Permaneceu nele durante três anos.

Desde 1919, tem intenso trabalho no quarteto do bandonionista Arturo Bernstein (O Alemão), com Alfonso Lacueva (piano) e Peregrino Paulos (violino). Mais tarde ingressa em outro quarteto, liderado por Ricardo Brignolo, junto com Roberto Goyheneche (piano) e Domingo Petillo (violino), fazendo apresentações no Café TVO.

Fez uma viagem a San Miguel de Tucumán, para se apresentar em dois cafés: o Espanha e El Águila, desta vez sob a direção de Vicente Gorrese no piano, Luis Petrucelli e Arturo Abrucese (bandônions). Participou de outro conjunto para se apresentar no Centro de Almaceneros, liderado por Samuel Castriota, com José Rosito (violino), Pacífico Lambertucci (bateria), Roque Biafore e Víctor Vanucci (bandônions).

Em 1923, fez parte do conjunto de Roberto Goyheneche (piano), com Pedro Laurenz e Enrique Pollet (bandônions), Luis Bernstein (contrabaixo) e José Marischi (violino). Se apresentaram na praça de Las Heras e Pueyrredón. A partir daí, com a adição de outro violino, executado por Bernardo Germino, passaram ao Café El Parque, de Lavalle e Talcahuano e, ao mesmo tempo, formaram parte do pequeno grupo de artistas que participaram das primeiras transmissões experimentais da Rádio Cultura.

Seu amigo Di Clemente nos contou sobre seu sucesso, junto com Marchiano, no Café Colón (ex TVO), acompanhando Floreano Benavento, El Negro Eduardo (bandônion) e Cesar Bertolotto (piano), sempre no ano de 1923.

O último mencionado anteriormente, junto com ambos os violinistas amigos, assim como Laurenz e Enrique Pollet, estrearam o tango “El rebelde”, composto por Laurenz e Marchiano, que fora do agrado de Julio De Caro e gravado em 19 de junho de 1925. Nessa agrupação ingressou Gunderico Clemens, mais tarde Luis Visca, no lugar do pianista Bertolotto. Desde esse momento, perdemos o rastro das apresentações do nosso protagonista.

Numa partitura editada por Juan Balerio, encontramos uma relação de suas obras: “El desacato”, “El regalón” e “El pequeño” (tangos). A seguir, seis tangos-milonga com título e numerados do 1 ao 6. “Larrondo”, “Para hoy”, que foi gravado por Roberto Firpo em 1917, “Abran cancha [c]”, “El que sabe sabe”, “La viaraza” e “La posta”. Além dos anteriores, duas valsas: “Linda Thelma” e “Cadena eterna”.

Entre 1921 e 1929, achamos outras das suas obras que foram registradas em disco: “A la moda”, “De vuelta y media”, “En decadencia”, “Lagrimitas” —este último em parceria com José Rainelli—, “Loca juventud”, “Mucha cancha”, “Murió de amor”, “No llores”, “La sombra de milonguita”, “Una esperanza” (com Luis Visca, Di Clemente e Pollet). Também, “Amelia” (valsa), “Boquita de miel” (fado). Existem outras músicas, porém não tiveram muito sucesso, nem sequer naquela época.

Resta dizer que, em 1920, foi um dos fundadores da Associação Argentina de Autores e Compositores, antecessora da SADAIC.