Francisco Martino

Nome verdadeiro: Martino, Francisco Isidro Emilio
Pseudônimo: Pancho
Guitarrista, cantor, compositor y bailarín
(6 junho 1884 - 25 maio 1938)
Local de nascimento:
Buenos Aires Argentina
Por
Orlando del Greco

ão existiu roda nativista ou conjunto gauchesco em Buenos Aires e arredores que não o tivesse contara como um de seus grandes animadores desde o 1900, já que, desde criança, iniciou-se na arte do sapateado e, logo em seguida, nos segredos do violão para se acompanhar, cantando primeiro, e depois servindo à sua inspiração, em estilos, cifras, milongas, etc.

Era atração obrigatória de quanta roda de violões que se organizava nos bairros portenhos, especialmente em Barracas al Sud (atual cidade de Avellaneda), onde por aquela época existiam inúmeros centros gauchos muito populares, como os chamados Los Pampeanos e Los Leales, e tradicionalistas de nota como Amaro Giura, Santiago Rocca, Domingo Lombardi, Florencio Iriarte, Julio Guillán Barragán, Florentino Hernández, Nicandro Reyes, e tantos outros!, que o procuravam assiduamente para amenizar aquelas festas onde eram exaltadas as tradições argentinas.

Muito cedo o destino o juntou a Carlos Gardel, José Razzano e Saúl Salinas quando tentavam se abrir passo com o canto rudimentar de que todos eles podiam oferecer, embora de muito apego à terra natal.

Com Gardel conformou o duo que em 1911 fez uma turnê pelas províncias de Buenos Aires e La Pampa, a primeira de Gardel, e com José Razzano gravou seus primeiros discos por aquela época.

Naquele mesmo ano fez parte do trio Gardel-Martino-Razzano, que se apresentou em La Casa Suiza, da rua Rodríguez Peña entre Sarmiento e Corrientes, lugar onde conheceu, assim como os seus colegas, o cantor Saúl Salinas, para formalizar o quarteto Gardel-Razzano-Martino-Salinas e estrear na cidade de Zárate no ano de 1912 e de lá continuaram por outras cidades bonaerenses.

Constituído definitivamente o duo Gardel-Razzano, não se desligou dos seus antigos colegas, já que além de atuar junto com eles na peça Juan Moreira, no Teatro San Martín em novembro e dezembro de 1915, lhes ofereceu belas canções, algumas escritas em parceria com Ángel Greco, junto a quem criou um dueto em 1917-18, conhecido como Greco-Martino, e que permaneceu até o ano de 1921 mais ou menos, participando de atuações teatrais e radiofônicas. Viajou a Espanha com a companhia Muiño-Alippi, como bailarino e cantor em 1922, e se apresentou muitas vezes no Uruguai.

Já da época de suas primeiras atuações Carlos Gardel lhe gravou o estiloEl sueño”, sua primeira obra, em 1912, nos discos Columbia e com o correr do tempo também gravou, em solo ou a duas vozes com Razzano: “Sanjuanina de mi amor”, “Mi pañuelo bordao”, ambas em parceria com Greco, “La catedrática”, “Maragata”, “La pueblerita”, “Amame mucho”, “Para quererte nací”, “Mis espuelas”, “Cariñito mío”, “Soy una fiera”.

Deixou outras, mas devemos citar o estilo “Me piden que cante y canto”, interpretado por Ignacio Corsini, e “La criolla de Tucumán”, canção que fez com Ángel Greco.

A dourada boêmia do mundo do canto e dos violões, o fez morar no mesmo quarto que Enrique Maciel e o vinculou, também, com Arturo De Nava, José Ricardo, Ignacio Riverol, Guillermo Barbieri, Mario Pardo, José María Aguilar, Horacio Pettorossi, os irmãos Navarrine, Ismael Gómez, Rafael Iriarte, D'Angelo, Nunziata e toda a grande quantidade de violonistas, intérpretes e outros, que manteve com sua atividade o cancioneiro nativo.

Abandonou este mundo levando infinidade de anedotas vividas com o grande Carlitos (foi um dos seus primeiros companheiros de boêmia), que acostumava a contar a aqueles que lhe perguntavam por informação sobre o Zorzal Criollo, porém a maior parte delas as resguardou para sua intimidade; nesse aspecto foi um pouco egoísta.

Martino nasceu em Buenos Aires, em 6 de junho de 1884, e morreu na mesma cidade, em 25 de maio de 1938.