Por
Abel Palermo

asceu na localidade de Alejandro Korn, na província de Buenos Aires. Filha de Juan da Luz de Roca e Josefa Borbón, um de seus irmãos seria figura importante do teatro, do cinema e da televisão, refiro-me a Jorge Luz.

Desde sua infância demonstrou grandes condições para o canto e a atuação. Por tal motivo, ingressou para estudar na importante academia PAADI, dirigida pelos irmãos Rubistein (na avenida Callao 419). E, com 19 anos, fez sua estreia como cantora na Rádio La Nación que, a partir de 1937, foi rebatizada como Rádio Mitre.

Em 1936, por recomendação do cantor Ernesto Famá, fez um pequeno papel no filme Loco lindo, dirigido por Arturo S. Mom, cujos principais protagonistas foram Luis Sandrini, Sofía Bozán, Tomás Simari, Juan Sarceni, Pedro Fioriti e Famá, que canta o tema de Carlos Di Sarli y del escritor Conrado Nalé Roxlo (Chamico), “Loco lindo”.

Naquele mesmo ano, participou de novo no cinema, esta vez no filme Ya tiene comisario el pueblo, codirigido por Claudio Martínez Paiva e Eduardo Morera, compartilhando elenco com Agustín Irusta, Roberto Fugazot e Leonor Rinaldi, entre outros.

Paralelamente, continuou cantando com sucesso na Rádio Mitre, compartilhando o cartaz da emissora com Carmen Duval, Aída Denis e Yola Yoli.

Depois, atuou junto com o cantor Alberto Gómez no filme De la sierra al valle, de Antonio Ber Ciani (1938); com Tito Lusiardo e o cantor Osvaldo Moreno em El sobretodo de Céspedes, de Leopoldo Torres Ríos (1939) e, em 1940, cantou seu primeiro tango no cinema: “El pañuelito”, no filme de Luis Bayón Herrera Los celos de Cándida, cuja protagonista era Niní Marshall. Nesse ano e com o mesmo diretor, foi a figura estelar em Amor, junto com Pepita Serrador e Adolfo Stray.

Lamentavelmente para o tango resultou evidente que em seu coração primava a atriz sobre a cantora. Continuou então uma sucessão de inumeráveis filmes e apresentações teatrais, relacionaremos as mais destacadas:

Cuando canta el corazón, de Richard Harlan, junto com o consagrado Hugo Del Carril, no qual cantam em duo: “Buenos Aires”, “La morocha” e “Dónde estás corazón” (1941).

Papá tiene novia, de Carlos Schlieper, com Amanda Ledesma (1941); La piel de zapa, de Bayón Herrera, com Hugo Del Carril, na qual fazem em duo “La noche de mis sueños” (1943).

Pobre mi madre querida, inesquecível filme codirigido por Homero Manzi e Ralph Pappier, junto com Hugo Del Carril e a atriz italiana Emma Gramatica (1948); El último payador, dos mesmos diretores, outra vez junto com Hugo Del Carril, uma homenagem a José Betinotti (1950).

Merece uma menção especial o espetáculo El patio de la morocha (1953), sainete lírico de Enrique Santos Discépolo, com a direção musical de Aníbal Troilo, no qual fez o papel estelar. Curiosamente, esta personagem tinha sido oferecida primeiro a Virginia Luque, quem não aceitou por discordâncias com a produtora. Foi um dos espetáculos de mais sucesso, com a participação do quarteto Troilo-Grela e os cantores Agustín Irusta, Jorge Casal e Raúl Berón. Aída estreou o tango “Patio mío” e a habaneraLa retrechera”, interpretações nas que, a pesar do tempo passado, demonstrou que sua voz e sua qualidade interpretativa permaceciam intactas.

Quando finalizou a extensa temporada teatral, a empresa Odeon, a convocou para registrar para seu selo subsidiário Pampa, as músicas do sainete e, noutro disco, os tangos “El pañuelito” e “Milonguita (Esthercita)”.

Depois daquele breve e exitoso regresso ao canto, esta estrela tão ligada a nossa música cidadã, voltou para a sua verdadeira vocação de atriz, com una magnífica carreira ressaltada com os prêmios mais importantes: Martín Fierro, Ace de oro, San Gabriel, Konex, Cóndor de oro, Estrella de Mar, Blanca Podestá e o mais importante de todos eles: o reconhecimento do público.