Por
Roberto Selles

Madame Ivonne e a origem de seu nome

arrar a origem de “Madame Ivonne” significa desenganar a mais de um tangueiro. Mesmo correndo esse risco, o fare-mos.

Nos inícios da década de 1960, Eduardo Pereyra, o compositor da música, declarava a Ernesto Segovia (pseudônimo de León Benarós), na revista Tanguera, que a tal Ivonne não era a protagonista da romântica história pensada por Enrique Cadícamo, mas sim a administradora de uma pensão de Montevidéu.

«O tango “Madame Ivonne”, dizia Chon Pereyra, foi inspirado na Rapsódia Nº 2 de Liszt (...) quando compus “Madame lvonne” utilizei o primeiro compasso da rapsódia. Depois, continuo com minha inspiração, levando em conta aquele começo. Eu primeiro criei a música, e depois Enrique Cadícamo fez a letra. O público pensa que, inevitavelmente, deve existir uma mulher no meio de composições como esta. Não há tal coisa. Na verdade sim, existiu uma mulher, mas não no sentido que quase todos imaginam. A mulher do tango não foi um velho amor que tive e sim, simplesmente, quem cobrava o aluguel numa pensão em Montevidéu».

Imediatamente, Pereyra aclara: «Eu morava numa pensão, na rua Ciudadela número 1400 e pouco. A dona era uma senhora francesa, de nome Louise, e a administradora, também francesa, de nome, precisamente, Ivonne (...) uma penosa infecção num dedo me impedia, então, trabalhar. Ivonne estava alarmada. Como era o seu dever, me reclamava o pagamento do aluguel.

«Interiormente, eu desejava lhe fazer uma homenagem a essa boa senhora Ivonne, que tão bem tinha se comportado comigo e tanta paciência tinha demonstrado para esperar o pagamento, que não acontecia nunca».

A homenagem, é claro, foi o tango “Madame Ivonne”, ao que Cadícamo adaptou versos em Buenos Aires.

A história da letra é bem outra. Porém, Pereyra opinava: «A Madame Ivonne do tango não é, obviamente, aquela outra humilde Ivonne de Montevidéu, que administrava a pensão francesa da rua Ciudadela... Mas o tango e a poesia saíram vitoriosos». E desculpe o leitor se o desiludimos.

Algumas gravações de “Madame Ivonne

Carlos Gardel com Orquestra Francisco Canaro (1933)
Carlos Gardel com violões de Barbieri, Pettorossi, Riverol e Vivas (1933)
Orquestra Edgardo Donato, canta: Alberto Gómez (1935)
Trio Ciriaco Ortiz, instrumental
Orquestra Ricardo Tanturi, canta: Alberto Castillo (1942)
Rodolfo Lesica com Orquestra Alberto Di Paulo (1960)
Quarteto Troilo-Grela, instrumental, (1962)
Julio Sosa com Orquesta Leopoldo Federico (1962)
Hugo Del Carril com Orquestra Armando Pontier (1964)
Duo Ciriaco Ortiz - Ubaldo De Lio (1965)
Roberto Goyeneche com Orquestra Armando Pontier (1966)
Edmundo Rivero com violões (1973)
Susana Rinaldi com orquestra
Fabián Rey, com Orquestra Fabián Rey
Félix Aldao, com orquestra
Alfredo Zitarrosa com violões (1981)
Alberto Podestá com Trio Ernesto Rossi (1982)
Edmundo Muni Rivero com Orquestra Carlos Figari
Orquestra José Libertella, canta: Edgar Rubino
Orquestra Nacional de Música Argentina «Juan De Dios Filiberto», canta: Alejandro Lerner (1995)
Luis Cardei com bandônio de Antonio Pisano (1995)
Liliana Barrios com conjunto acompanhante Carlos Buono (1995)
Duo Hugo Romero - Raúl Peña, instrumental, (1996)
Trio Los Morochos, canta: Norberto Viñas (1996)
Lalo Martel com violões de César Lucero (1996)
Adriana Varela com conjunto acompanhante (1998)
Trio Orlando Trujillo, canta: Enrique Paredes (1998)
Darío Landi com seu violão (2002)
Osvaldo Miró com violões de Hugo Rivas (2002)