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Por
Néstor Pinsón

Tangos en homenaje a un héroe

rata-se de um passado distante. Como conseguir situar-se na manhã do dia 11 de junho de 1925? Tentemos imaginar a cena, num bairro da cidade de Montevidéu, onde um rapaz transitava sem preocupações em sua bicicleta. Ia pela rua Paraguai perto da avenida 18 de Julho, depois girou pela Rio Negro e, no setor delimitado por Mercedes e Uruguai, chamou a sua atenção uma densa fumaça e um grupo de pessoas que, a distância prudente, pediam ajuda, o incêndio era no depósito de filmes da firma Fox Film.

Uma voz surgiu clamando por Asunción, uma garota que não tinha sido vista sair do edifício incendiado. Apareceram as primeiras labaredas quando abandonou a sua bicicleta e, apenas com um lenço em suas mãos, atravessou a porta de entrada seguindo uma voz de mulher.

Seu nome era Atilio Pelossi, operário eletricista, nascido em San José, em 12 de outubro de 1899. Os bombeiros já tinham partido do quartel central, localizado em frente à ainda denominada, por força do costume, Plaza Artola, que fazia tempo já que tinha mudado seu nome por 33 Orientales.

Cinco anos antes, o valente eletricista já havia arriscado a vida, também por uma mulher que pedia socorro nas águas do rio. Atilio acudiu e pôde salvá-la e o fato ficou em simples anedota. Porém, desta vez, não houve final feliz. Quando o incêndio foi controlado o encontraram abraçado a uma jovem garota a poucos metros da saída, ambos mortos. Ela era uma das funcionárias da empresa, Asunción Muñoz era seu nome.

«Uma tragédia!», foi a frase mais usada em Montevidéu e em todo o Uruguai. O país estava abalado e Buenos Aires também, já que rapidamente a notícia atravessou o rio.

Conforme o tempo passava a figura do herói se agigantou. Vários rapazes do tango da nossa margem do rio decidiram brindar-lhe uma homenagem. Assim foi que, antes de terminar o ano, já tinham sido lançados à venda dois títulos.

1) “Pelossi” (de José Pécora e Juan Carlos Barthe) gravado por Ignacio Corsini com acompnahamento de violões e o registro instrumental pela orquestra de Francisco Lomuto e, em 1982, também foi gravado em solo de piano por César Zagnoli.

2) “Atilio Pelossi” (do pianista Doroteo Andrada) registro instrumental da orquestra de Julio De Caro, para a companhia Victor.

Finalmente, a República Oriental do Uruguai nomeou a Atilio Pelossi, como Primeiro Herói Civil de Montevidéu. Também um setor do campus dos escoteiros leva seu nome e uma avenida do bairro El Prado, de Montevidéu, assim como de outras cidades.