Por
Roberto Selles

Acquaforte - História da sua criação

ontava o cantor e letrista Juan Carlos Marambio Catán, sobre a origem desse belo tango que compôs sobre música de Horacio Pettorossi, titulado “Acquaforte”, que a letra lhe surgiu em Milão (Itália), à volta de Cairo onde tinha se apresentado.

«Nessa volta —refere Marambio Catán— tive a sorte de me encontrar com Pettorossi, o violonista de Gardel, e para comemorar essa circunstância fomos a um cabaré (...). Em certo momento me disse Pettorossi com entusiasmo contido: «Tenho uma melodia muito bonita que criei há poucos dias», e sem hesitar começou a cantarolar. Gostei e concordamos em que eu faria uma letra.

«De imediato minha cabeça começou a trabalhar e como tinha percebido que as mulheres que atendiam o público não prestavam a mínima atenção a nós, pensei que isso acontecia porque estávamos velhos ou, pelo menos, envelhecidos y comecei a desenvolver um tema que era a descrição do quadro que essa noite presenciamos no cabaré Exelsior de Milão».

O fato aconteceu em 1931 e parece que a melodia, tinha sido composta realmente em 1928. Isso não significava problema algum, embora sim a circunstância de que na Itália de Mussolini uma letra expressa-se:

Um velho safado que gasta seu dinheiro
embriagando a Lulu com o champagne,
hoje lhe negou um aumento a um pobre operário
que lhe pediu mais um pedaço de pão.


«Tivemos bastantes dificuldades na publicação desta obra ?continua o autor?. Não foi aprovada pela censura por ser considerada uma canção anarquista (…), mas um sacerdote tangueiro amigo de Pettorossi conseguiu gestionar a aprovação (…), sob a condição de que o título devia ter a aclaração: Tango argentino, porque diziam que aquilo que descrevia a letra não acontecia na Itália».



Graças ao próprio Marambio Catán sabemos que a letra foi prontamente traduzida para o italiano e estreada pelo cantor de moda da época, Gino Franzi. Também apareceu, por esses dias, um texto em francês. Enquanto isso, a letra original foi gravada em Buenos Aires por Agustín Magaldi, em 1932, e por Carlos Gardel, em 1933.

Finaliza Marambio Catán dizendo que sua idade, nessa época, «na verdade não era tanta, a pesar dos “quarenta anos de vida me encadeiam,/ branca a cabeça, velho o coração”». Quarenta não é muito, embora ele tinha apenas trinta e seis.

Gravações de “Acquaforte”:
Agustín Magaldi com acompanhamento de violões, Buenos Aires (1932).
Carlos Gardel com os violões de Guillermo Barbieri, Horacio Pettorossi, Ángel Domingo Riverol e Julio Vivas, Buenos Aires (22/2/1933).
Orquestra Osvaldo Pugliese com Miguel Montero, Buenos Aires (23/7/1958).
Orquestra Horacio Salgan com Edmundo Rivero, Buenos Aires (1961).
Miguel Montero com a Orquestra José Libertella, Buenos Aires (16/8/1963).
Jorge Casal com acompanhamento de orquestra, Buenos Aires (1964).
Jorge Durán com os violões de Gorrías, Laine, Morán e Estela, Buenos Aires (1971).
Elvira De Grey's com acompanhamento de Aníbal Arias, Buenos Aires.
Néstor Soler com acompanhamento de violões, Buenos Aires.
Sexteto Canyengue com Fabián Russo, Amsterdam (1992).
Trio Los Morochos com Norberto Viñas, Pamplona (1996).
Óscar Chávez com os violões de Carlos Porcel, México (1997).
Luis Cardei com acompanhamento de Antonio Pisano, Buenos Aires (2000).
Lina Avellaneda com acompanhamento dirigido por Nicolás Ledesma, Buenos Aires (2002).
Gaby com acompanhamento de conjunto, Buenos Aires (2010).