Por
Néstor Pinsón

As Irmãs Desmond

e chamavam Lidia Desmond e Violeta Desmond. Na verdade Lidia e Ana Argerich. O êxito lhes veio cantando em duo, começaram e encerraram suas carreiras ao mesmo tempo. Quase sempre juntas, poucas vezes cantaram separadas. Muitas rádios as tiveram e, além disso, fizeram várias temporadas teatrais.

Violeta nasceu em Buenos Aires, no ano de 1906, e morreu em 4 de janeiro de 1983. Era um ano mais velha do que Lidia. Cantou tangos, mas também por sus conta e como solista, incursionou no gênero melódico. Em 1939, sem a presença de Lidia, participou de uma comédia, no Teatro Maipo, titulada La Hermana Josefina.

As irmãs atuaram com relativo sucesso na década dos anos trinta, até que foram se afastando e presume-se que, com exceção de algumas fofocas em revistas especializadas, desapareceram do ambiente.

Suas loiras presenças chamaram a atenção, como o repertório melódico que faziam de valsas e tangos, em geral, cantados em uníssono. Ambas tiveram registro de soprano ligeira, embora no caso de Lidia podia atingir um tom mais baixo, o que lhe permitia um melhor desempenho nos tangos, assim como demonstrar uma voz melhor treinada.

Suas carreiras, quase sem exceção, foram paralelas. Começaram em 1926 como parte de grupos teatrais que liderava Arturo De Bassi. Participaram de turnês pelo interior do país e na capital, se apresentaram nos teatros de comédias mais afamados, como o Porteño, Sarmiento, Maipo, Avenida, secundando os atores, músicos e cantores mais destacados da época.

Em 1928, participaram de uma comédia no Maipo: Juventud, divino tesoro, de Ivo Pelay. Mas escolheram a rádio, considerando-o um meio no qual poderiam ter um melhor desempenho e com maior impacto. Várias emissoras lhes abriram as portas. Então, foram se sucedendo: Rádio Municipal, Argentina, Callao, Mayo, Stentor, Prieto, Belgrano.



Em 1934, participam da orquestra de Pedro Maffia sem gravar. No mesmo ano, Juan Canaro as convoca para um musical e chegam ao disco com a valsa “Amor es amar”. Lidia gravou essa mesma valsa com a orquestra de Francisco Canaro, em dueto com Ernesto Famá.

Em 1935, por breve tempo, tentaram fazer um trio incorporando uma terceira irmã, Indiana, que em seguida voltou às suas atividades fora do mundo artístico.

Em 1936, tiveram a chance de aparecer —por única vez—, num filme, foi Radio Bar, um desfile musical e algumas humoradas criadas por Manuel Romero, seu diretor. Foi estrado no dia 10 de setembro. Nele aparecem: Juan Carlos Thorry, Alberto Vila, Alberto Soifer, Elvino Vardaro, Gloria Guzmán, os comediantes Marcos Kaplán e Olinda Bozán.

Naquele mesmo ano foram convocadas por Julio De Caro, com ele gravaram outra valsa: “Pienso en ti”.

Hoje, totalmente esquecidas, quisemos resgatá-las do esquecimento em Todo Tango, por seu aporte à música popular.