Por
Néstor Pinsón

Orquestra Típica Juan D'Arienzo

eria muito complicada a tarefa de fazer uma relação exaustiva de todos os músicos que participaram das formações que teve a orquestra de Juan D'Arienzo. Foram muitos anos, mais de quarenta e cinco de trabalho e sucesso, transitando centenas de palcos, rádios, clubes, viajando por todo o país e pelo Uruguai. Por tal motivo, esta matéria inclui a maioria deles, porém não a todos.

A história começa com Alfredo Améndola, dono do selo Electra e cunhado do pai Juan D'Arienzo, quem lhe ofereceu ao jovem músico gravar na sua empresa. A ideia era que ele formasse uma orquestra e, assim, encarrilar a sua vida. E assim foi.



1928-1929. A orquestra básica estava conformada por: Ciriaco Ortiz, Nicolás Primiani e Florentino Ottaviano (bandônios), Alfredo Mazzeo, Luis Cuervo e o diretor (violinos), Vicente Gorrese (piano), José Puglisi —irmão de Cayetano— (contrabaixo). Alternaram no piano Nicolás Vaccaro, Luis Visca, Juan Carlos Howard e Alfonso Lacueva. Os cantores foram Carlos Dante e Francisco Fiorentino, também, a cantora Raquel Notar.

Nesse período gravaram 44 músicas. Frente ao público e com o cartaz de «Juan D'Arienzo y Los Siete Ases del Tango», se apresentaram no Cine Hindú da rua Lavalle. A seguir, se transforma no dueto D'Arienzo-Polito (Juan Polito) e não gravaram. A seguir, afasta-se Polito e o nome passa a ser D'Arienzo-Visca (Luis Visca). Já nessa época começa a relação de D'Arienzo com o cabaré Chantecler, da rua Paraná 400. Essa união durou quase quatro anos.

1934-1939. Juan outra vez como líder. Os novos componentes: Lidio Fasoli, depois Rodolfo Biagi (piano), Domingo Moro, Juan José Visciglio, Faustino Taboada, Haroldo Ferrero e José Della Rocca (bandônios), Alfredo Mazzeo, Domingo Mancuso, Francisco Mancini e León Zibaico (violinos), Rodolfo Duclós, às vezes Pedro Caracciolo (contrabaixo). Cantores: Walter Cabral, Enrique Carbel e Alberto Echagüe.

Se apresentam pela Rádio El Mundo e começa seu ciclo discográfico para o selo Victor. Nesse período fizeram 116 gravações. Em dezembro de 1935, ingressa Rodolfo Biagi (piano) e surge definitivamente, o clássico estilo de D'Arienzo, sua primeira gravação foi “Orillas del Plata”, em 31 de dezembro desse ano. Manos Brujas permaneceu na orquestra até a sua última participação no disco, em 22 de junho de 1938, com “Champagne tango”; foi substituído por Juan Polito cuja primeira gravação, em 8 de julho, foi o tango “El internado”. No final de 1939 afastam-se quase todos os integrantes da orquestra.



1940. Se incorporaram Fulvio Salamanca (piano), Héctor Varela (bandônio) e Cayetano Puglisi (violino). Salamanca começou a gravar em 12 de abril de 1940, com “Entre dos fuegos”, sendo a sua última gravação, em 13 de março de 1957, o tango “Sin barco y sin amor”, a seguir se afastou para formar a sua própria orquestra. Também participaram nessa etapa: Alberto San Miguel, Jorge Ceriotti, Ángel Ramos e José Antonio Di Pilato (bandônios), Olindo Sinibaldi (contrabaixo), Rodolfo Velo e Alberto Laga (pianistas substitutos de Salamanca). Os cantores que passaram por essa etapa: Alberto Reynal, Carlos Casares, Héctor Mauré, Juan Carlos Lamas (1940-1943) e Alberto Echagüe e Armando Laborde (1944-1949).

1950. A formação básica: Enrique Alessio, Alberto San Miguel, Carlos Lazzari e Felipe Ricciardi (bandônios), Cayetano Puglisi, Blas Pensato, Jaime Ferrer e Clemente Arnaiz (violinos), Fulvio Salamanca (piano), Victorio Virgillito (contrabaixo); os cantores Roberto Lemos e Alberto Echagüe, mais tarde, Armando Laborde, Mario Bustos, Jorge Valdez e Horacio Palma.

1974. Já no final da sua carreira. Ernesto Franco, Luis Maggiolo, Carlos Lazzari, Felipe Ricciardi e Carlos Niesi (bandônios), Bernardo Weber, Mauricio Mise, Milo Dojman, Domingo Mancuso e Blas Pensato (violines) —como reforço nas gravações se incorporavam Aquiles Roggero, Osvaldo Rodríguez, Fernando Suárez Paz e Eduardo Fernández—, Juan Polito (piano), Enrique Guerra (contrabaixo).

Como já expressamos, durante a extensa carreira da orquestra, passaram uma enorme quantidade de músicos: Joaquín Do Reyes, Eladio Blanco, Ernesto Franco, Aldo Junnissi (bandônios), Aquiles Aguilar (violino), René Cóspito, César Zagnoli, Normando Lazara, Juancito Díaz (primo de Salamanca), Jorge Dragone e, apenas por um mês para substituir a Luis Visca, Carlos Di Sarli no cabaré Chantecler, (piano).



Ao todo 18 vocalistas participaram da orquestra: Carlos Dante, Francisco Fiorentino, Rafael Cisca (não gravou), Walter Cabral, Mario Landi (não gravou), Enrique Carbel, Alberto Echagüe, Alberto Reynal, Carlos Casares, Héctor Mauré, Juan Carlos Lamas, Armando Laborde, Roberto Lemos, Horacio Palma, Mario Bustos, Jorge Valdez, Héctor Millán, Osvaldo Ramos. E também os cantores que a companhia gravadora fez acompanhar: Libertad Lamarque, Antonio Prieto e Mercedes Serrano.

Em 1972, D'Arienzo deu sua benção à criação do conjunto Los Solistas, entre outros estavam Carlos Lazzari, Milo Dojman, Normando Lazara, Enrique Guerra, Alberto Echagüe e Osvaldo Ramos. A marca era «D'Arienzo». Já falecido o diretor, em 1978, surgiram Los Grandes del Compás e, a seguir, Los Reyes del Compás, todos fiéis ao estilo do maestro.

Sobre artigos e considerações de Héctor Ernié, José Gobello, Nicolás Lefcovich, Néstor Pinsón e Jorge Palacio (Faruk).