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El choclo Tango
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Por
Víctor Benítez Boned

O francês no tango: pernod

pernod é uma bebida forte e amarga proveniente do absinto. Existem vários tangos que o mencionam, lembraremos três clássicos: “El choclo” («Carancanfunfa se hizo al mar con tu bandera / y en un pernó mezcló a París con Puente Alsina…»); “Siempre París” («Y así el pernod y el strip tis -medio cocotte y actriz- y los barbudos sin razón,¡y el mal de Koch, París!») y “Aquellas farras” («Siglo de oro de ese tiempo en que el ñato Monteagudo, borracho de pernod, se quiso suicidar…»).

Longa é a relação do pernod com nossa música cidadã, e mais longa ainda, é a história dessa famosa bebida de origem francesa.

No fim do século XVIII, um médico francês chmado Pierre Ordinaire, exilado na Suíça, receitava a seus pacientes uma poção que ele tinha inventado que denominou elixir de absinthe, elaborada a base da conhecida erva amarga chamada absinto (artemisa absinthum). Depois da sua morte começou a explorar-se comercialmente pelos herdeiros da receita e, em 1797, chegou ela às mãos de um grupo de comerciantes, entre eles Henri-Louis Pernod. Começou a ser vendido em lojas de licores como aperitivo-digestivo e foi um sucesso. Pernod separou-se de seus sócios e se instalou na França.

Na capital francesa teve se apogeu no final do século XIX e começos do XX. Estima-se que em 1910, na França, se consumiam mais de 35 milhões de litros de absinthe ao ano. Existiam já quase 200 fabricantes, mas a marca mais famosa era Pernod, que além de absinto, continha fiolho, junípero e noz-moscada.

Longa é também a relação das pessoas famosas que se declararam bebedores de Pernod, desde Edgar Allan Poe e Jack London, até Paul Verlaine, Vincent Van Gogh e Paul Gauguin.

O tango, que era furor na Europa durante o primeiro quarto do século XX, se ocupa extensamente de esta bebida. Desde “Copa de ajenjo”, de Francisco Canaro e Carlos Pesce, a tantos outros que mencionam a esse licor, seja com a denominação original, absinto (ajenjo, ou com a designação de suissé e, especialmente, sob o nome da marca comercial que lhe deu fama mundial: Pernod.

A referência mais emblemática é, sem dúvida, a de Discépolo na letra que escreveu, em 1947, para o tango de Ángel VilloldoEl choclo”. Porque ao dizer que «en un pernó mezcló a París con Puente Alsina» («num pernod misturou Paris com Puente Alsina»), resume em apenas um e grandioso verso toda a sólida e eterna relação de nosso tango argentino com a França que lhe outorgou sua patente artística internacional.

Resgatamos outros dois tangos, dos muitos que evocam a famosa bebida em suas letras. O já citado anteriormente “Siempre París”, dos irmãos Homero Expósito e Virgilio Expósito, e “Aquellas farras (Argañaraz)”, com a letra que em 1930 lhe adicionou Enrique Cadícamo ao velho tango de Roberto Firpo “Argañaraz”.

Do livro: i>El Francés en el Tango, Proa Amerian Editores, 2011.