Por
Néstor Pinsón

Orquestra Típica Ricardo Tanturi

m 1933, começou com o Sexteto Típico Los Indios, nome que adotou inspirado num clube de polo.

A sua formação inicial: Emilio Aguirre e Francisco Ferraro (bandônions), Antonio Arcieri e Pibetti (violinos), Emilio Méndez (contrabaixo) e no piano o diretor, Ricardo Tanturi.

Em 1943 a orquestra esteve integrada por Armando Posada (piano), Francisco Ferraro, Héctor Gondre, José Raúl Iglesias, Emilio Aguirre e Juan Saettone (bandonions), Armando Husso, Norberto Guzmán, Alberto Taido e Vicente Salerno (violinos) e Enzo Raschelli, mais tarde Ramón Outeda (contrabaixo), Alberto Castillo e a seguir Enrique Campos como cantores, esta sería a base até sua dissolução em 1951.

Sua orquestra típica teve, em suas diferentes etapas, músicos de notável qualidade artística. Neste texto, mencionaremos os nomes mais representativos da agrupação.

Vicente Salerno: violinista nascido em Buenos Aires em 1907. Desde seus inícios teve orquestra própria, fazendo apresentações radiofônicas. Mais tarde integrou as orquestars de Raúl Kaplún, Nicolás D'Alessandro, Francisco Lauro e, principalmente, mais de vinte e cinco anos, foi o primeiro violino de Ricardo Tanturi. Destacou-se como compositor e autor, Tanturi gravou-lhe oito músicas: “La serenata (Mi amor)”, valsa; “Qué podrán decir”, “Yo sé lo que te digo”, “No la nombres corazón”, “El corazón me decía”, “Anselmo Laguna”, “Esta noche hay una fiesta”, “Que bien te queda (Cómo has cambiado)”. Também, “Estas chicas se quieren casar” e “Muchachos escuchen”, com letra de Carlos Lucero.

Armando Posada: pianista nascido no bairro de Barracas, em nove de dezembro de 1914. Aos doze anos já tocava, como tantos outros músicos, nos intervalos dos cinemas. Em 1936, Tanturi que ainda não tinha chegado aos estúdios de gravação, se apresentou no antigo estádio de River Plate, da Avenida Alvear e Tagle, enfrente da sede do Automóvil Club Argentino, com o jovem pianista de apenas 22 anos. O interessante do caso é que continuou com o maestro até que ele decidiu finalizar sua carreira de trinta anos.

Antonio Arcieri: violinista, nasceu em 1909, na cidade de Buenos Aires. Iniciou-se ainda rapaz, fazendo parte dum quarteto com Antonio Sureda (bandônio), Humberto Canataro (violão) e Juan Carlos Aquilini (piano). A seguir passou ao conjunto de Adolfo Avilés. Formou o Trio América, de muito sucesso, junto com Aquilini e Sureda. Depois a Orquestra Rostan (nome que combina os início dos sobrenomes Rosich e Tanturi). Participou brevemente da orquestra de Julio De Caro. No final da década de 1920, teve sua Orquestra Los Matreros, na qual cantou Juan Carlos Miranda. Como compositor lhe pertencem, entre outros tangos: “Delirando”, “Campanario”, “Pinta orillera”, “Cachivache”, “Derrotado”. Sua primeira composição intitulou-se: “Mi nena”.

José Raúl Iglesias: bandonionista, nasceu em Avellaneda em 1913. Com sete anos começou a estudar o instrumento. Fez sua estreia com um conjunto de bairro e, apenas dois anos mais tarde, incorporou-se à orquestra de Tanturi, na qual permaneceu até o final da carreira artística do diretor. Como compositor, Tanturi lhe gravou sete títulos, em parceria com Juan Bautista Gatti, as valsas: “Al pasar” e “Mi romance”, os tangos “Ana Lucía”, “Cuatro recuerdos”, “Desde lejos”, “Igual que un bandoneón”, “No la nombres corazón” e “El tango es el tango”.

Bernardo Sevilla: violinista nascido na Espanha, em 14 de abril de 1904. Para outros nasceu em 17 do mesmo mês, segundo os diversos autores. Começou com a música clássica, mas rapidamente dedicou-se ao tango. Foi músico contratado num barco que viajava periodicamente aos Estados Unidos. Na sua carreira de trinta anos participou dos conjuntos de Manuel Buzón, Julio De Caro, Federico Scorticati (como primeiro violino), Landó-Mattino, Miguel Nijensohn, Florindo Sassone, Carlos Marcucci, Pedro Maffia, Pedro Laurenz, Alfredo Attadía e uma intensa temporada com Tanturi. Foi músico acompanhante de Alberto Marino, Tania, Héctor Mauré e María de la Fuente. Em 1932, a curiosidade dum conjunto de bons intérpretes, mas de breve existência: Los Magos del Tango com Daniel Álvarez e Nicolás Pepe (bandônios), Juan Polito (piano), Sevilla (violino) e o cantor Roberto Arrieta.

Héctor Gondre: bandonionista, nascido em Buenos Aires em 27 de outubro de 1920. Começou numa orquestra juvenil denominada Claudio, desconhecida hoje. Em 1939, incorporou-se à de Tanturi, na qual realizou todos os solos de bandônio. Em 1961, afastou-se para formar sua própria orquestra, com ela, entre outros, acompanhou em algumas gravações ao cantor Osvaldo Ribó e à cantora Silvia Del Campo, esposa do comentarista de turfe, Mineral.

Francisco Ferraro: bandonionista nascido em Buenos Aires, em 27 de julho de 1909. Estreou com Eugenio Nobile no Palais de Glace, daí passou para o conjunto dirigido por Antonio Tanturi e, em 1930, para um dueto formado por Ricardo Tanturi e o jazzman Raúl Sánchez Reynoso cujo repertório, como era lógico, incluía tangos e música sincopada. Com a orquestra de Tanturi esteve desde 1933 até 1950, ano em que decidiu retirar-se da música.



Horacio Perri: bandonionista, nasceu no bairro de Barracas, em 15 de novembro de 1914. Ainda adolescente estreou com Roberto Firpo, depois trabalhou para Carlos Marcucci, Roberto Zerrillo, Miguel Caló, Orquestra Los Mendocinos de Francisco Lauro, Rodolfo Biagi, Héctor Varela, também Francisco Canaro e, finalmente, quinze anos com Tanturi. “El expreso platense”, “Musa de antaño” e “Bailongo de patio”, são alguns dos seus tangos.

Natalio Berardi: contrabaixista, nasceu no bairro de Palermo em 1 de janeiro de 1920. Participou por muitos anos da orquestra de Tanturi, também tocou, entre outras formações, na de Jorge Dragone e na de Miguel Padula, até que abandonou a música e dedicou-se à marcenaria.

Eduardo Salgado: violinista nascido em Mendoza, em 5 de agosto de 1922. Em 1946, chegou a Buenos Aires para tocar em vários conjuntos. Esteve com Pedro Laurenz, Campos-Calabró, Francisco Rotundo, Rodolfo Biagi, Edelmiro D’Amario, Alfredo Gobbi e, desde 1956, com Tanturi.

Horacio Roca: cantor nascido no bairro de Almagro em 1929. Teve uma vida breve, já que morreu em 1969. Ingressou à orquestra na década de 1950. Pouco tempo depois, o diretor decidiu descansar até 1956, quando formou um novo conjunto e voltou a convocar Roca, assim como a Elsa Rivas e Juan Carlos Godoy. Chego ao disco oito vezes como solista, três em duo com Alberto Guzmán e uma em trio com Rivas e Godoy.

Sua última orquestra é a de 1965 e teve uma vida muito breve, os músicos eram: Armando Posada (piano), Natalio Berardi (contrabaixo), Santos Maggi, Horacio Perri, Ricardo Varela, José Raúl Iglesias e Ezequiel Esteban (bandônios), Antonio D'Alessandro, Emilio González, Fidel De Luca e Orlando Perri (violinos).

Outros músicos que fizeram parte dos seus conjuntos: Enzo Raschelli (contrabaixo), Luis Cuervo, Milo Dojman, Armando Husso, Norberto Guzmán, Alberto Taido (violinos), Juan Saettone (bandônio).

Seus vocalistas: Alberto Castillo, Enrique Campos, Blanca Bassi, Roberto Videla, Jorge Falcón [b] —este último, muito menos conhecido que seu homônimo que cantou com Héctor Varela—, chegou a gravar um disco LP por sua conta, com sua foto na capa (problemas pessoais o afastaram prontamente do mundo artístico); Juan Carlos Godoy, Horacio Roca, Alberto Guzmán —seu verdadeiro nome era Alberto Russo, mas Tanturi o rebatizou para recordar seu primeiro violinista Norberto Guzmán, falecido muito jovem, depois dedicou-se ao ritmo tropical como Alberto Garda, estabelecido na Colômbia, teve sucesso e registrou numerosos discos—, Carlos Ortega, Osvaldo Ribó e Elsa Rivas.

Fontes: Revista do Buenos Aires Tango Club Nº 12 e artigos do livro La historia del tango de Horacio Ferrer e discografia de Nicolás Lefcovich.